segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Um quadro

Quadros com milhas de altura a rodeavam, 

emoldurados com ouro, 

a chamando para uma conversa dançante.

Ansiava senti-los, 

um desejo escandaloso a assombrava todos os dias, 

olhando para as estrelas pela fresta de sua mente sã.

Desejava nadar em um  rio pigmentado mas, 

por toda sua vida estava fadada a um rio normal escuro e sem graça.

Entrar em uma obra transbordando cores a enfurecia, 

cores vívidas a fazia querer vomitar, 

cores que ansiava entender.

Por que nunca entendia?

Como poderia ser sua vida sem suas amadas fumaças,

que fluem por toda sua mente, 

como poderia as deixar?

Sozinhas, 

desamparadas, 

como sobreviveriam sem sua proteção?

Sua egoísta nunca pensa nelas? 

Não tem compaixão? 

Tinha me esquecido de como sua frieza não a permite sentir.

Que vida injusta essa, 

tantos desprezam suas cores, 

nunca são brilhantes o suficiente.

Como pode você nunca enxergar as suas?

São as mais brilhantes que já vi.

Acorde,

acorde,

acorde, 

agora, 

não,

não,

um quadro se despedaçou.

Por que fez isso?

Havia tanto nele a ser visto.


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